
RESPOSTA RÁPIDA
Segundo a Pesquisa Doação Brasil 2024 do IDIS, 78% dos brasileiros pesquisados fizeram alguma forma de doação no ano (dinheiro, bens, tempo ou outros). Quando se considera apenas doação em dinheiro, o percentual cai para 43%. A distinção entre os dois números é central para interpretar corretamente o comportamento doador.
Dois números que costumam ser confundidos
Quando se discute “quanto o brasileiro doa”, é comum encontrar dois percentuais circulando em paralelo: 78% e 43%. Os dois vêm da mesma pesquisa, o IDIS com a Pesquisa Doação Brasil 2024, e nenhum está incorreto. Eles medem coisas diferentes.
- 78% — proporção de brasileiros pesquisados que fizeram alguma forma de doação no ano, incluindo dinheiro, bens, tempo (voluntariado) e outras formas.
- 43% — proporção que fez doação especificamente em dinheiro.
A diferença é metodologicamente correta e revela algo importante sobre a cultura de doação brasileira: a participação é ampla quando se considera o conceito amplo de doar; concentra-se quando se considera transferência financeira direta.
O que move o doador brasileiro
Análise do próprio IDIS sobre cultura de doação aponta para motivações específicas em 2024: “Doações emergenciais representaram 74% das motivações para doar em 2024.” Eventos extremos como as enchentes no Rio Grande do Sul em 2024, por exemplo, mobilizaram contingente expressivo de doadores temporários.
Em paralelo, a mesma análise registra dado de confiança que importa para o setor: “Só 30% acreditam que a maior parte das ONGs é confiável”. É um termômetro institucional importante. Boa parte do doador brasileiro doa motivado por emergência específica, a doação recorrente, baseada em vínculo institucional duradouro com uma OSC, encontra barreira na percepção de baixa confiança no setor.
Para a OSC que constrói estratégia de captação, isso muda o enquadramento. Engajar doadores em campanhas pontuais é uma frente. Construir relacionamento de longo prazo é outra e exige investimento em transparência, prestação de contas e comunicação institucional.
A mediana e o que ela diz sobre o doador típico
Conforme registrado no comunicado de resultados do IDIS, a mediana do valor doado por indivíduo passou de R$ 300 para R$ 480, sinalizando deslocamento da distribuição para cima. Não significa que todo doador doou R$ 480; significa que metade doou abaixo e metade acima desse valor.
Para a OSC, a mediana é uma referência para definir patamares de pedido em campanhas. Pedir muito acima da mediana sem oferecer justificativa de valor pode ter taxa de conversão menor; muito abaixo pode deixar dinheiro na mesa.
Quem é o doador segundo o perfil consolidado
Da combinação dos dois percentuais (78% amplo e 43% dinheiro) e dos canais usados, alguns traços do doador 2024 emergem:
- Doador eventual em maioria: 74% das motivações foram doações emergenciais (resposta a crises pontuais).
- Confiança institucional baixa: apenas 30% confiam na maioria das ONGs.
- PIX como canal: meio dominante para doações de pequeno e médio valor.
- Distribuição etária ampla: todas as faixas participam, com variação no ticket médio.
- Diferenças regionais relevantes: regiões com mais economia formal mostram maior participação financeira.
Esse retrato favorece uma estratégia de captação dupla: relacionamento de longo prazo para construir base recorrente; capacidade de resposta rápida para campanhas emergenciais.
Perguntas frequentes
O que conta como “doação” na pesquisa?
A Pesquisa Doação Brasil considera diferentes formas: doação em dinheiro, doação de bens (roupas, alimentos, materiais), doação de tempo (voluntariado) e outras. Os percentuais agregados (como o 78%) somam todas as formas; recortes específicos isolam o tipo desejado (43% para dinheiro).
Doação emergencial e doação recorrente são contabilizadas juntas?
Sim, mas a pesquisa distingue tipos. Doações emergenciais foram a maior motivação em 2024 (74%). Doação recorrente: mensal, por débito automático ou compromisso continuado, representa parcela menor do volume, mas tem peso estratégico para sustentabilidade das OSCs.
Por que a confiança nas OSCs é baixa?
A pesquisa não detalha causas, mas o setor identifica fatores recorrentes: cobertura midiática de casos de irregularidade ampliada, ausência de informação institucional pública sobre muitas organizações e dificuldade do doador médio em verificar a aplicação dos recursos. Investir em transparência ativa é resposta consolidada do setor.
Fontes
- IDIS — Pesquisa Doação Brasil 2024
- IDIS — análise sobre cultura de doação e motivações 2024
- Conjunta.org — análise complementar sobre comportamento doador
- IPEA — Mapa das OSCs — mapaosc.ipea.gov.br
Este conteúdo é informativo. Os percentuais da Pesquisa Doação Brasil cobrem universos metodológicos específicos — leituras aplicadas à captação da sua organização devem considerar o perfil do público-alvo.

