
33% das organizações sem fins lucrativos do Brasil já oferecem ferramentas de inteligência artificial (IA) generativa para criar conteúdo, mas só 31% treinaram as equipes em privacidade nos 12 meses que antecederam a pesquisa, informa a ONG News com base na pesquisa TIC Organizações Sem Fins Lucrativos 2025.
Textos lideram o uso de IA generativa
O Cetic.br, centro regional de estudos sobre a sociedade da informação, mediu como as entidades usam IA generativa. A produção de textos lidera, com 27%. Imagens e vídeos aparecem em 20% das organizações, e o desenvolvimento de códigos, em 10%.
Essas ferramentas convivem com informações pessoais. Registros das pessoas atendidas, de doadores e de voluntários podem alimentar rotinas de comunicação, produção de conteúdo e organização interna. Cada uso pede regra sobre quem acessa o dado, com quem ele é compartilhado e onde fica guardado.
A IA generativa, tecnologia capaz de produzir textos, imagens e códigos a partir de comandos escritos, entra assim no cotidiano de equipes que também tratam dados de beneficiários.
Treinamento em privacidade chega a 31%
Treinamentos internos sobre privacidade ocorreram em 31% das organizações nos 12 meses que antecederam a coleta, segundo a pesquisa. Cursos externos pagos pela própria entidade foram menos comuns, com 18%.
Os dados divulgados não cruzam a adoção de IA generativa com a capacitação das equipes. Por isso, não indicam se as organizações que oferecem as ferramentas são as mesmas que treinaram seus profissionais.
Responsável pela LGPD sobe de 29% para 52%
Um setor ou profissional encarregado de aplicar a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) existe em 52% das entidades em 2025. Em 2022, o índice era de 29%.
A LGPD estabelece regras para o tratamento de informações pessoais, inclusive as que circulam em organizações sem fins lucrativos. Para quem busca vaga ou migração de carreira no terceiro setor, o dado indica que a função de conformidade com essa lei já aparece na estrutura de parte relevante das entidades. A pesquisa não detalha cargo, carga horária nem tipo de vínculo desses responsáveis.
Sites com política de privacidade chegam a 69%
Entre as entidades que mantêm website, a publicação de política de privacidade passou de 49% em 2022 para 69% em 2025. O canal para o titular dos dados, a pessoa a quem as informações pertencem, saiu de 48% para 68% no mesmo período.
A política de privacidade informa ao visitante como a organização trata os dados coletados, e o canal dedicado permite ao titular fazer pedidos sobre suas informações. Os dois indicadores valem somente para as organizações com site, que somam 46% das entidades pesquisadas. As demais ficam fora dessa medição.
Pesquisa entrevistou 1.306 organizações
A TIC Organizações Sem Fins Lucrativos 2025 entrevistou 1.306 entidades brasileiras de junho a novembro de 2025. A realização é do Cetic.br, vinculado ao Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br).
Os resultados reúnem três frentes: IA generativa para produção de conteúdo, governança da LGPD e transparência em sites. Os temas se cruzam na rotina de profissionais de comunicação, captação de recursos e atendimento nas organizações.
Esta nota tem como base informação publicada pelo ONG News, fonte registrada no catálogo editorial do Vagas Terceiro Setor.
Perguntas frequentes
Quantas organizações sem fins lucrativos oferecem IA generativa para criar conteúdo?
Na TIC Organizações Sem Fins Lucrativos 2025, 33% das entidades oferecem a tecnologia. O uso para textos chega a 27%, o de imagens e vídeos a 20% e o de códigos a 10%.
Quantas organizações têm responsável pela LGPD?
A proporção de entidades com setor ou profissional encarregado da lei chegou a 52% em 2025, contra 29% em 2022. A pesquisa não informa cargo nem perfil dessas pessoas.
Quantas organizações com site publicam política de privacidade?
Entre as que têm website, 69% publicavam a política em 2025, ante 49% em 2022. O canal para o titular foi de 48% a 68%. Os dois dados cobrem só as entidades com site, 46% do conjunto pesquisado.
Fontes
Este conteúdo tem caráter informativo e jornalístico. Não substitui aconselhamento jurídico, contábil ou tributário profissional.

