
O Projeto Dabucury financia, por meio de seu primeiro edital, a revisão do PGTA, sigla de Plano de Gestão Territorial e Ambiental, e do Plano de Vida em 67 comunidades indígenas de Oiapoque (AP), informou a Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE) em 23 de outubro de 2026. Cerca de 500 pessoas participam.
Quem executa e quem financia o projeto
O Conselho de Caciques dos Povos Indígenas de Oiapoque (CCPIO) coordena o projeto Maiuhi em conjunto com a Associação de Mulheres em Mutirão (AMIM). O Instituto de Pesquisa e Formação Indígena (IEPÉ) completa a parceria.
A CESE e a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) realizam o Projeto Dabucury, que conta com recursos do Fundo Amazônia e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O dinheiro custeia oficinas e consultas nas aldeias, onde as comunidades reveem prioridades e desenham estratégias para cuidar do território e do meio ambiente.
Perfil de quem participa das atividades
O grupo beneficiado soma cerca de 500 pessoas, segundo a CESE: 250 mulheres, outros 250 homens e, entre todos, 100 jovens. Elas vivem nas Terras Indígenas Uaçá, Galibi e Juminã, no Amapá, junto à divisa com a Guiana Francesa.
Os povos Karipuna, Palikur, Galibi Marworno e Galibi Kali’na habitam essas áreas. As oficinas reúnem lideranças novas, pessoas com níveis variados de estudo e anciãs e anciãos, que guardam a memória dos territórios.
A presença feminina na liderança e a participação juvenil ampliam os pontos de vista usados na redação dos textos. A troca entre gerações também dá peso às línguas e aos saberes tradicionais.
Das consultas às oficinas temáticas
As primeiras oficinas traçaram um diagnóstico geral dos problemas das aldeias. Certas questões exigiam mais tempo de debate, e a coordenação passou a organizar encontros por tema: economia e renda, meio ambiente e monitoramento do território.
Renata Lod, assessora do projeto, afirma que a mudança de método permitiu examinar melhor as prioridades das etapas iniciais e abriu espaço para estratégias construídas em grupo.
Prioridades levantadas pelas comunidades
As consultas registraram preocupação com invasões e com a exploração de petróleo nos territórios. Voltaram à pauta as demandas sobre a BR-156, como o asfaltamento da estrada e a mudança de aldeias de lugar, além dos efeitos de usinas hidrelétricas.
Na conversa sobre alimentação, os participantes citaram a vassoura-de-bruxa, doença que atinge as roças de mandioca. A praga prejudica as variedades plantadas na área e a mesa das famílias.
Para que servem os documentos revisados
Os dois documentos listam as prioridades dos povos, ordenam ações e orientam a gestão conforme decisões tomadas pelos próprios indígenas. A revisão também ajuda a aplicar a Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI).
O processo permite rever responsabilidades e definir respostas para problemas antigos e para novas pressões socioambientais. A escuta das comunidades sustenta o trabalho, pois os textos precisam refletir necessidades locais e guiar escolhas sobre a proteção da terra, o aproveitamento dos recursos naturais e o futuro das novas gerações.
O trabalho envolve funções comuns ao terceiro setor, como assessoria técnica, condução de oficinas, articulação de parcerias e busca de novos recursos. A CESE afirma que a captação segue necessária para manter a revisão em andamento. A divulgação não menciona vagas abertas nem processo seletivo.
Esta nota tem como base informação publicada pelo CESE, fonte registrada no catálogo editorial do Vagas Terceiro Setor.
Perguntas frequentes
Quantas pessoas participam do projeto Maiuhi?
Cerca de 500 pessoas, entre 250 mulheres, outros 250 homens e 100 jovens. Elas vivem em 67 comunidades das Terras Indígenas Uaçá, Galibi e Juminã, no Amapá.
Quem financia a revisão dos planos indígenas de Oiapoque?
A CESE e a COIAB realizam o Projeto Dabucury, com recursos do Fundo Amazônia e do BNDES. O CCPIO e a AMIM executam o Maiuhi, com a parceria do IEPÉ.
Quais temas as comunidades apontaram como prioritários?
Invasões, exploração de petróleo, asfaltamento da BR-156, mudança de aldeias e efeitos de usinas hidrelétricas. Na alimentação, a vassoura-de-bruxa nas roças de mandioca também apareceu nas consultas.
Fontes
- CESE — Coordenadoria Ecumenica de Servico — Projeto Dabucury fortalece atualização do Plano de Vida e do PGTA dos povos indígenas de Oiapoque
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