
Essencial
- O Programa Cisternas leva água a famílias rurais de baixa renda. Usa tecnologias simples para captar e guardar a água da chuva.
- A água serve para beber, para os animais e para a pequena produção. É a base da convivência com a seca no semiárido.
- As organizações da sociedade civil executam o programa na ponta. Elas constroem as cisternas e formam as famílias para usá-las.
O Programa Cisternas mudou a forma de lidar com a seca no Brasil. Em vez de só combater seus efeitos, ele ensina a conviver com ela. Esta página explica o que é o programa, quem tem direito, como a tecnologia social funciona e o papel das organizações sociais. As informações refletem as normas vigentes em 2025 e podem mudar, confirme nos canais oficiais.
O que é o Programa Cisternas
Da luta contra a seca à convivência com ela.
O Programa Cisternas leva água a famílias rurais de baixa renda atingidas pela falta de água. Seu nome oficial é mais longo, mas a ideia é simples: apoiar a captação da água da chuva e outras formas de acesso. Sua base legal está na Lei nº 12.873, de 2013, regulamentada pelo Decreto nº 9.606, de 2018.
O programa nasceu de uma mudança de visão. Antes, as políticas tentavam combater os efeitos da seca depois que ela chegava. O Programa Cisternas propõe outra lógica: a convivência com a seca. Ele ajuda a família a guardar água no período de chuva para usar nos meses secos.
A gestão é do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS). O programa une o conhecimento técnico ao saber popular. Por isso, fala em tecnologia social: técnicas simples e de baixo custo, criadas com a participação das próprias comunidades. Um sistema informatizado acompanha as metas e dá transparência.
Quem tem direito
Famílias rurais de baixa renda no Cadastro Único.
O Programa Cisternas é voltado às famílias rurais de baixa renda. O acesso depende de alguns critérios. Pela regra vigente em 2025, o público é formado, sobretudo, por:
- Famílias rurais. Que vivem no campo, em áreas atingidas pela falta de água.
- Baixa renda. Inscritas no Cadastro Único, dentro dos critérios de renda do programa.
- Sem acesso adequado à água. Que não contam com uma fonte segura e regular de água em casa.
O Cadastro Único é o ponto de partida para identificar as famílias. A seleção considera a situação de vulnerabilidade e a falta de acesso à água. As comunidades tradicionais, como quilombolas, também são atendidas, com atenção às suas realidades.
Para que serve a água
Beber, cuidar dos animais e produzir.
A água do Programa Cisternas tem mais de um uso. A política reconhece que, no campo, a água é essencial para viver e para produzir. Em geral, os usos são três:
- Consumo humano. Água para beber e cozinhar, o uso mais básico e urgente.
- Dessedentação animal. Água para os animais de criação, parte do sustento da família.
- Pequena produção. Água para hortas e plantios de quintal, que reforçam a alimentação e a renda.
Por isso, há tipos diferentes de cisterna. Algumas são voltadas ao consumo da casa; outras, maiores, guardam água para a produção de alimentos. A escolha depende da realidade de cada família e do território. Uma casa com poucos moradores precisa de menos água. Já quem cria animais ou tem horta precisa de mais. O programa busca ajustar o tipo de cisterna a essa necessidade.
Como funciona a tecnologia social
Captar a chuva e guardar para a seca.
A ideia central da cisterna é simples e engenhosa. A água da chuva que cai no telhado é captada por calhas. Daí, ela segue para um reservatório fechado, a cisterna, que a guarda protegida da evaporação e da contaminação. Assim, a família estoca no período de chuva o que vai usar na seca.
Mas o programa não entrega só a estrutura física. Ele inclui uma parte de formação. As famílias aprendem a usar e a cuidar da cisterna: como manter a água limpa, como fazer a manutenção e como aproveitar melhor o recurso. Essa parte pedagógica é o que dá vida longa à tecnologia.
É essa combinação que faz a diferença. A cisterna sem o conhecimento de uso teria pouca durabilidade. O conhecimento sem a estrutura não resolveria a falta de água. Juntas, as duas partes transformam a realidade da família no semiárido. Pense numa caixa-d’água da chuva. Ela enche no inverno, quando chove. E sustenta a casa no verão, quando a seca aperta. É uma ideia simples, mas que muda a vida no campo.
O papel do Terceiro Setor
As organizações executam o programa na ponta.
O Programa Cisternas é um exemplo forte de parceria com a sociedade civil. As organizações sem fins lucrativos, incluindo as OSCIPs, são as executoras na ponta. São elas que constroem as cisternas, mobilizam as comunidades e fazem a formação das famílias.
Essa escolha tem uma razão. As organizações conhecem o território e têm a confiança das comunidades. Elas chegam onde a estrutura do Estado teria dificuldade de alcançar. A lei previu essa parceria de forma explícita, reconhecendo o papel do Terceiro Setor na política.
Para participar, as entidades passam por um processo de credenciamento. Elas precisam comprovar capacidade técnica e idoneidade, conforme as portarias do programa. Depois, atuam sob acompanhamento e controle, com metas registradas em um sistema oficial. É um papel técnico e de grande responsabilidade.
Perguntas frequentes
1. O que é o Programa Cisternas?
É um programa federal que leva água a famílias rurais de baixa renda atingidas pela falta de água. Ele apoia a captação da água da chuva e outras formas de acesso. Sua base é a Lei nº 12.873, de 2013, e é gerido pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social.
2. Quem tem direito ao programa?
Pela regra vigente em 2025, famílias rurais de baixa renda, inscritas no Cadastro Único, que vivem em áreas atingidas pela falta de água e não têm uma fonte segura. A seleção considera a vulnerabilidade da família. Comunidades tradicionais, como quilombolas, também são atendidas.
3. Para que serve a água da cisterna?
Para três usos principais: o consumo humano (beber e cozinhar), a dessedentação dos animais de criação e a pequena produção, como hortas de quintal. Há tipos diferentes de cisterna, alguns voltados ao consumo da casa e outros, maiores, à produção de alimentos.
4. Como funciona uma cisterna?
A água da chuva que cai no telhado é captada por calhas e levada a um reservatório fechado, a cisterna. Lá, fica protegida da evaporação e da contaminação. Assim, a família guarda no período de chuva a água que vai usar nos meses de seca.
5. O que é convivência com a seca?
É uma mudança de visão sobre a seca. Em vez de só combater seus efeitos quando ela chega, a ideia é se preparar para conviver com ela. O Programa Cisternas é parte dessa lógica: ajuda a família a guardar água na chuva para usar nos meses secos.
6. O que é uma tecnologia social?
É uma técnica simples e de baixo custo, criada com a participação das comunidades, que une o conhecimento técnico ao saber popular. A cisterna é um exemplo: resolve um problema real, é replicável e fortalece a autonomia das famílias que a usam.
7. Quem constrói as cisternas?
As organizações da sociedade civil, incluindo as OSCIPs, executam o programa na ponta. Elas constroem as cisternas, mobilizam as comunidades e formam as famílias. Para isso, passam por um credenciamento que comprova sua capacidade técnica e idoneidade.
8. A família precisa pagar pela cisterna?
Não. O Programa Cisternas é uma política pública voltada a famílias de baixa renda, sem custo para o beneficiário. Qualquer cobrança para incluir a família ou “liberar” a cisterna é indevida. Em caso de dúvida, o caminho é procurar a assistência social do município.
9. A cisterna só serve no semiárido?
O programa tem forte presença no semiárido, região mais marcada pela seca. Mas a lógica de captar e guardar a água da chuva pode ajudar outras áreas rurais com dificuldade de acesso à água. O foco recai sobre a família rural de baixa renda sem fonte segura.
10. O programa só entrega a estrutura?
Não. Além de construir a cisterna, o programa forma as famílias para usá-la e cuidar dela: manter a água limpa, fazer a manutenção e aproveitar melhor o recurso. Essa parte de formação é o que garante a durabilidade da tecnologia ao longo do tempo.

