
Essencial
- Grantmaking é o repasse planejado de recursos a outras organizações. É financiar quem está na ponta.
- Difere da filantropia operacional, em que a entidade executa seus projetos. Aqui, ela fomenta os de terceiros.
- Os editais são a principal porta de acesso a esses recursos. Há editais nacionais e internacionais.
Grantmaking é um termo cada vez mais comum no Terceiro Setor. Ele descreve uma forma estratégica de financiar causas. Esta página explica o que é, a diferença para outros modelos, como funcionam os editais e como se candidatar. O conteúdo tem caráter informativo e pode ser atualizado.
O que é grantmaking
Financiar quem está na ponta da ação.
Grantmaking é o repasse planejado de recursos de uma organização que financia para outras. Tudo é acompanhado de perto. O termo vem do inglês, mas a ideia é clara. Em vez de tocar projetos próprios, a entidade que financia apoia quem já atua na ponta, com recursos e acompanhamento.
Os recursos não são só dinheiro. O grantmaking pode envolver também apoio técnico e político. Ajuda a entidade a se fortalecer, a se ligar a outras e a ganhar voz. É um repasse pensado para gerar impacto, e não uma doação solta e sem rumo certo.
Quem recebe esses recursos são as organizações da sociedade civil, os coletivos e os líderes da comunidade. A lógica é confiar no saber de quem está no território. Em vez de impor soluções de cima, o grantmaking aposta em quem conhece de perto o problema a ser resolvido. É confiar mesmo na sabedoria do território. Quem vive o problema costuma saber, melhor que ninguém, qual a saída.
Fomento e operação
Financiar projetos ou executá-los.
O grantmaking marca uma diferença importante dentro da filantropia. Há dois jeitos de a fundação agir. Há duas formas de uma fundação atuar, e elas se distinguem assim:
- Filantropia de fomento. A fundação repassa recursos para que outras entidades toquem os projetos. É o grantmaking.
- Filantropia operacional. A própria fundação toca seus projetos, com sua equipe e sua estrutura, na ponta.
As duas formas têm valor, mas o fomento cresce. Cada vez mais, fundações e institutos preferem agir como apoiadores de redes, e não como executores isolados. Essa escolha reconhece que muitas entidades locais já fazem um bom trabalho, e só precisam de recursos para crescer.
Por que o fomento importa
Descentralizar e fortalecer a sociedade civil.
A escolha pelo fomento traz ganhos para todo o setor. Ela muda a forma como o recurso chega às causas. Entre os principais efeitos, estão:
- Descentralização. Os recursos chegam a mais lugares e a causas menos visíveis, não só às entidades já grandes.
- Fortalecimento local. Apoiar quem está na ponta fortalece as entidades locais e a sociedade civil como um todo.
- Mais impacto. Confiar em quem conhece o território tende a gerar soluções mais certeiras e eficazes.
Há uma mudança de papel por trás disso. O financiador deixa de ser só um doador para virar um motor de redes. Ele liga entidades, fortalece o ambiente e ajuda boas ideias a ganhar escala. É um papel bem mais estratégico que o de só doar. O dinheiro continua importante. Mas a rede que se forma ao redor dele pode valer ainda mais para a causa.
Como funcionam os editais
A porta de acesso aos recursos.
Os editais são a forma mais comum de o grantmaking acontecer. Eles são chamadas públicas. Nelas, o financiador define o que quer apoiar e abre inscrições. O processo costuma seguir alguns passos:
- Lançamento. O financiador publica o edital, com o tema, as regras, os valores e os prazos do apoio dado.
- Inscrição. As entidades enviam seus projetos, seguindo à risca o que o edital pede.
- Seleção. O financiador avalia as propostas e escolhe as que melhor atendem ao que foi pedido.
- Acompanhamento. Após o repasse, há o acompanhamento dos resultados e a prestação de contas pela entidade apoiada.
Os editais existem em diferentes escalas. Há os nacionais, de fundações e institutos do Brasil, e os internacionais, de grupos e fundações de fora. Os internacionais podem trazer mais recursos, mas costumam exigir mais da entidade, até o domínio de outro idioma. As regras são mais complexas. Por isso, pedem mais preparo de quem se candidata.
Como se candidatar bem
Alinhamento e clareza fazem a diferença.
Concorrer a um edital de grantmaking exige preparo. Algumas práticas aumentam as chances de uma entidade. As principais são:
- Leia o edital com atenção. Cada edital tem seu foco e suas regras. Atender ao que ele pede é o primeiro passo.
- Alinhe-se à causa do financiador. Mostre como o seu projeto conversa com o que aquele financiador quer apoiar de fato.
- Mostre impacto e gestão. Financiadores confiam em quem mostra resultados claros e boa prestação de contas.
Há um cuidado que supera o projeto em si: a relação. O grantmaking é uma relação de confiança que se constrói no tempo. Cumprir o combinado, prestar contas com clareza e manter o diálogo aberto abre portas para apoios futuros. Um bom histórico vale tanto quanto uma boa proposta. A confiança é construída a cada projeto bem entregue. E ela rende frutos por muitos anos. Um financiador que confia numa entidade tende a apoiá-la de novo. A primeira parceria pode ser só o começo de uma longa relação.
Perguntas frequentes
1. O que é grantmaking?
É o repasse planejado e monitorado de recursos de uma organização financiadora para outras. Em vez de executar projetos próprios, a entidade financiadora apoia quem já atua na ponta, com recursos e acompanhamento. Os recursos podem incluir dinheiro, apoio técnico e político.
2. Qual a diferença entre fomento e operação?
Na filantropia de fomento (o grantmaking), a fundação repassa recursos para que outras organizações executem os projetos. Na filantropia operacional, a própria fundação executa seus projetos, com sua equipe e estrutura. As duas têm valor, mas o fomento vem crescendo.
3. Como funcionam os editais?
São chamadas públicas em que o financiador define o que quer apoiar e abre inscrições. O processo costuma ter quatro passos: lançamento (com tema, regras e prazos), inscrição (as OSCs enviam projetos), seleção (avaliação das propostas) e acompanhamento (após o repasse).
4. Como aumentar as chances num edital?
Leia o edital com atenção e atenda exatamente ao que ele pede. Mostre como seu projeto conversa com a causa daquele financiador. E demonstre clareza de impacto e boa gestão. Além disso, um bom histórico de prestação de contas pesa muito na decisão do financiador.
5. Quem recebe recursos de grantmaking?
As organizações da sociedade civil, os coletivos e as lideranças comunitárias que atuam na ponta. A lógica do grantmaking é confiar na expertise de quem está no território e conhece de perto o problema, em vez de impor soluções de cima para baixo.
6. Grantmaking é só repasse de dinheiro?
Não. Embora o dinheiro seja central, o grantmaking pode envolver também apoio técnico e político: ajudar a organização a se fortalecer, a se conectar com outras e a ganhar voz. É um repasse pensado para gerar impacto, e não uma doação solta e sem acompanhamento.
7. Qual a diferença entre editais nacionais e internacionais?
Os nacionais são de fundações e institutos brasileiros. Os internacionais, de organismos e fundações de fora do país. Os internacionais podem trazer mais recursos, mas costumam exigir mais da organização, inclusive o domínio de outro idioma e regras mais complexas.
8. O que o financiador espera após o repasse?
Espera o cumprimento do que foi combinado no projeto, o monitoramento dos resultados e uma boa prestação de contas. O acompanhamento faz parte do grantmaking: não termina no repasse. A organização apoiada deve mostrar como usou os recursos e que impacto gerou.
9. Por que as fundações preferem fomentar?
Porque o fomento descentraliza os recursos, levando-os a mais territórios e a causas menos visíveis. Ele fortalece as organizações locais e tende a gerar soluções mais adaptadas, já que confia em quem conhece o território. O financiador vira um catalisador de redes.
10. Qual a relação do grantmaking com o Investimento Social Privado?
O grantmaking é uma das principais formas do Investimento Social Privado em ação. Ele aplica a lógica do investimento social: planejamento, foco em impacto e prestação de contas, ao repasse de recursos para outras organizações. É o ISP atuando como fomento.

