
Conferência Impact Minds 2026, organizada pela Latimpacto e divulgada pelo Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (GIFE), reuniu investidores, fundações, empresas e organizações sociais entre 8 e 11 de setembro para discutir uma articulação mais próxima entre capital, territórios e diferentes setores da economia de impacto.
Programação organizada em quatro frentes
A Impact Minds 2026 ocorreu em Manaus (AM), entre os dias 8 e 11 de setembro, sob o conceito “Connecting Us”. Os debates acadêmicos foram organizados em quatro frentes: a relação entre propósito e estratégia, entre distintos instrumentos financeiros, entre diferentes atores do investimento de impacto e entre ações pontuais e transformações estruturais.
Essa organização parte de uma premissa central discutida no evento: resultados amplos e duradouros dependem, mais do que de ações isoladas, da habilidade de conectar recursos financeiros, conhecimento técnico e diferentes agentes ao redor de propósitos compartilhados. Para a presidente da Somos Um, Ticiana Rolim, o investimento de impacto abandona a condição de nicho do mercado financeiro para se tornar parte do planejamento coletivo sobre o futuro almejado pela sociedade.
Filantropia e capital de mercado se complementam
Rolim defende o encerramento da divisão rígida entre filantropia e aportes financeiros tradicionais. De acordo com ela, os dois mecanismos funcionam como “dois bolsos que precisam se alinhar”, cada um assumindo um papel conforme o tipo de desafio e a maturidade da solução social envolvida.
Nessa visão, a filantropia se responsabiliza pelos riscos mais altos: coloca modelos à prova, dá suporte a organizações e mantém projetos que ainda não têm condições de atrair investimento. Em seguida, entra o capital paciente, com horizontes de retorno mais longos, voltado a negócios de impacto em expansão. Somente quando a geração de receita já anda ao lado do impacto social surgem os aportes com expectativa de retorno equivalente ao de mercado.
Comunidades locais ganham voz nas decisões
Entre os desafios apontados na conferência está a distância entre quem controla os recursos financeiros e quem enfrenta os problemas diretamente nos territórios. Segundo Rolim, o setor precisa “sair da lógica de fazer PARA, para fazer COM” — postura que exige mais confiança em organizações e lideranças locais, recursos com menos restrições e participação dos próprios agentes de ponta nas decisões.
Essa reorientação altera o papel de quem investe: passa a demandar escuta atenta, elaboração conjunta de soluções e reconhecimento de que parte das respostas já está presente nos lugares onde os problemas ocorrem.
Impacto na rotina profissional do terceiro setor
A ideia de capital como um espectro contínuo amplia as funções exercidas dentro das organizações de impacto. As equipes passam a acumular, ao mesmo tempo, o desenho de programas filantrópicos, a estruturação de capital paciente e a negociação de investimentos com retorno financeiro — tarefas antes distribuídas entre setores separados.
Para quem atua no terceiro setor, essa integração exige conhecimento de mecanismos financeiros somado à experiência já consolidada em gestão social e territorial. A proposta de Rolim de aproximar financiadores e executores de projetos nos territórios também cria espaço para que lideranças locais assumam decisões sobre o destino dos recursos, papel que historicamente ficava concentrado em investidores e gestores de fundos.
Esta nota tem como base informação publicada pelo GIFE, fonte registrada no catálogo editorial do Vagas Terceiro Setor.
Perguntas frequentes
O que foi a Impact Minds 2026?
Conferência promovida pela Latimpacto em Manaus (AM), entre 8 e 11 de setembro, sob o conceito “Connecting Us”, reunindo investidores, fundações, empresas e organizações sociais da América Latina.
Como o investimento de impacto combina filantropia e mercado?
No modelo de capital contínuo apresentado na conferência, a filantropia testa soluções e absorve riscos, o capital paciente sustenta o crescimento e os aportes com retorno financeiro chegam quando receita e impacto social já coexistem.
Qual o papel dos territórios nas decisões sobre capital?
Segundo os debates da conferência, organizações e lideranças locais devem participar das decisões sobre o uso dos recursos, com investidores oferecendo mais confiança e recursos mais flexíveis às comunidades atendidas.
Fontes
- GIFE — Grupo de Institutos, Fundacoes e Empresas — Investimento de impacto avança em direção a estratégias mais sistêmicas na América Latina
Este conteúdo tem caráter informativo e jornalístico. Não substitui aconselhamento jurídico, contábil ou tributário profissional.

