
72% dos valores captados por entidades da sociedade civil no Brasil vêm com destinação amarrada a projetos específicos, informa levantamento do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, parceiro brasileiro do World Giving Report 2026, pesquisa global da Charities Aid Foundation que ouviu 195 organizações no país.
Procura por serviços cresce entre organizações brasileiras
Para 66% das entidades brasileiras ouvidas pelo estudo, o número de pessoas atendidas subiu no último período, aponta o levantamento. Entre as mesmas organizações, 78% projetam continuidade dessa alta nos próximos anos.
Esse cenário cobra das organizações da sociedade civil um planejamento que vá além da reação imediata a emergências. A etapa brasileira do levantamento reuniu 195 dirigentes; a base global do World Giving Report 2026 somou mais de 5 mil líderes em 33 países, projeto assinado pela Charities Aid Foundation (CAF) com execução local do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social.
Financiamento restrito trava planejamento de longo prazo
No Brasil, cada organização soma em média 3,5 fontes distintas de receita. Empresas financiam 70% das entidades pesquisadas, enquanto doações de pessoas físicas alcançam 68% dos casos.
Mesmo com essa pluralidade, 72% do volume captado chega carimbado para usos pontuais, o que reduz a margem de decisão das equipes gestoras. Caso os aportes parem, 60% das organizações sustentariam sua operação por menos de doze meses recorrendo só a reservas, aplicações financeiras ou receita própria.
Ferramentas de captação de longo prazo, como fundos patrimoniais (endowments), doações em testamento e legados, seguem raras no país: apenas 13% das organizações recorrem a essas fontes. No comparativo mundial, quem acessa esse tipo de recurso relata maior segurança financeira e operacional para o futuro: 50% ante 37% no conjunto geral de entidades pesquisadas.
Mensuração de impacto ainda desafia a maioria
Apenas 31% das entidades brasileiras acreditam registrar seu impacto de forma eficaz, e só 29% usam algum modelo formal para essa avaliação. Em contrapartida, 59% dizem estar montando esse tipo de modelo atualmente.
Apoio externo para essa frente é escasso: só 17% das organizações dizem ter recebido de financiadores alguma colaboração útil para medir resultados. O levantamento aponta um descompasso entre prioridades de quem doa e de quem executa os projetos: no recorte mundial, 19% das entidades citam a mensuração de impacto como um dos principais obstáculos, ante apenas 6% que mencionam a necessidade de provar sua idoneidade. Já entre doadores, 63% apontam a clareza na comunicação de resultados como estímulo extra para doar mais.
Carreira: lideranças cobram apoio estratégico e formação
Além de dinheiro, as organizações brasileiras esperam outro tipo de contrapartida de quem financia. Do total, 77% querem ajuda para se conectar com outras entidades e trocar experiências, 59% pedem orientação estratégica e 54% buscam programas de capacitação para lideranças.
Essa cobrança espelha a rotina de quem comanda essas organizações: em média, essas lideranças gastam 68% da jornada com tarefas do dia a dia e reservam só 32% para decisões de longo prazo, como planejamento institucional e busca por recursos.
Segundo Luisa Lima, gerente de Comunicação e Conhecimento do IDIS, a capacidade de resposta das organizações não depende só do volume de recursos captados, mas também da forma como esse financiamento chega até elas. A executiva destaca que investir em planejamento estratégico, estruturas de governança, equipes, parcerias em rede e formas de medir impacto amplia essa capacidade.
Esta nota tem como base informação publicada pelo IDIS, fonte registrada no catálogo editorial do Vagas Terceiro Setor.
Perguntas frequentes
Quantas organizações brasileiras participaram do estudo do IDIS?
A etapa brasileira do World Giving Report 2026 ouviu 195 organizações da sociedade civil. Ao todo, a pesquisa da Charities Aid Foundation reuniu mais de 5 mil líderes em 33 países, com o IDIS como parceiro local.
Por que o financiamento restrito dificulta a gestão das ONGs?
Segundo o IDIS, 72% dos valores captados pelas organizações brasileiras têm destinação amarrada a projetos específicos, o que reduz a margem de decisão das equipes. Sem novos aportes, 60% delas resistiriam menos de um ano usando só reservas próprias.
O que as organizações esperam dos financiadores além de dinheiro?
De acordo com o levantamento, 77% das entidades brasileiras querem apoio para se conectar com outras organizações, 59% pedem orientação estratégica e 54% buscam formação de lideranças.
Fontes
- IDIS — Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social — Além do financiamento: estudo global revela demandas das ONGs para ampliar sua resiliência
Este conteúdo tem caráter informativo e jornalístico. Não substitui aconselhamento jurídico, contábil ou tributário profissional.

