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Grantmaking cresce: a expansão dos repasses de investimento social privado para OSCs brasileiras

Nuvem de palavras: Grantmaking cresce: a expansão dos repasses de investimento social privado para OSCs brasileiras

RESPOSTA RÁPIDA

Grantmaking é o repasse de recursos de fundações e institutos a OSCs para execução de projetos sociais que cresceu expressivamente no Brasil ao longo da última década. Análises consolidadas indicam expansão significativa do volume, especialmente em causas como educação, assistência social e saúde, com peso crescente do Investimento Social Privado (ISP).

O que é grantmaking

Grantmaking é o repasse de recursos de uma entidade financiadora — fundação, instituto, fundo filantrópico — para outra organização (geralmente OSC) executar projeto, atividade ou programa social. Distingue-se de:

  • Captação direta da entidade financiadora: quando o financiador executa o programa diretamente;
  • Doação individual: feita por pessoa física a OSC;
  • Transferências públicas: recursos do Estado a OSCs via MROSC.

No grantmaking, a fundação ou instituto define critérios (área, formato, valores), seleciona OSCs executoras e acompanha implementação. É o modelo predominante de Investimento Social Privado para algumas categorias de financiadores brasileiros.

Crescimento ao longo da última década

Análises consolidadas pelo setor (publicações do GIFE e do IDIS) apontam crescimento expressivo do volume de grantmaking no Brasil nos últimos 8-10 anos. Em paralelo ao crescimento do Investimento Social Privado total (registrado em aproximadamente R$ 5,8 bilhões no Censo GIFE 2024-2025 entre os membros), a parcela dirigida a grantmaking para OSCs ampliou-se substancialmente.

Fatores que ajudaram a impulsionar essa expansão:

  • Profissionalização das fundações empresariais: institutos com equipe dedicada operam grantmaking estruturado;
  • Resposta a crises: pandemia (2020-2022) e eventos climáticos (RS 2024) mobilizaram repasses inéditos;
  • Maturidade das OSCs receptoras: organizações com capacidade técnica conseguem absorver e executar recursos com qualidade;
  • Pauta ESG corporativa: empresas demandam mais demonstração de impacto, fortalecendo grantmaking estruturado;
  • Articulação intersetorial: modelos colaborativos entre fundações multiplicam alcance.

Como o grantmaking opera no Brasil

Modelos típicos de grantmaking no setor brasileiro:

  • Editais abertos — chamadas públicas para OSCs concorrerem com projetos
  • Apoio institucional direto — fundações que mantêm relacionamento contínuo com OSCs parceiras
  • Cofinanciamento — múltiplas fundações dividem aporte para um projeto maior
  • Apoio recorrente — relacionamento de longo prazo com OSCs comprovadas
  • Pesquisa e desenvolvimento — apoio a OSCs que produzem conhecimento setorial

Cada formato tem critérios próprios. Editais abertos costumam ser mais competitivos e exigir capacidade técnica de candidatura. Apoio institucional direto exige relacionamento prévio. Cofinanciamento exige articulação entre as fundações financiadoras.

Áreas que mais recebem grantmaking

A distribuição setorial do grantmaking varia conforme a estratégia das fundações financiadoras. Algumas áreas que historicamente concentram volume:

  • Educação: área prioritária consolidada, com fundações empresariais (Itaú Social, Instituto Unibanco, Fundação Lemann) e outras;
  • Assistência social: fortalecida especialmente após crises;
  • Saúde: Santas Casas, projetos de saúde mental, oncológicos;
  • Cultura: apoio sustentado por institutos corporativos;
  • Direitos humanos: em crescimento, com pauta de equidade racial e gênero.

Em paralelo, áreas como meio ambiente, ação climática e tecnologia social têm crescido na atenção dos financiadores, especialmente entre fundações alinhadas a ESG.

Desafios e tendências

A expansão do grantmaking enfrenta desafios:

  • Distribuição desigual: boa parte do volume concentra-se em OSCs de maior porte e em regiões mais articuladas;
  • Concorrência crescente: mais OSCs disputando volume relativamente concentrado;
  • Exigência crescente de mensuração: fundações cobram cada vez mais demonstração robusta de impacto;
  • Articulação com política pública: projetos isolados perdem espaço para iniciativas articuladas com governo;
  • Sustentabilidade pós-projeto: fundações cobram visão sobre o que acontece depois do apoio.

Tendências em consolidação:

  • Grantmaking mais estruturado: com critérios objetivos e processos profissionalizados.
  • Apoio institucional ampliado: cobertura de custos administrativos da OSC, não apenas projeto.
  • Articulação em coalizões: fundações se juntam para impacto maior.
  • Foco em escala: preferência por projetos com potencial de replicação.
  • Mensuração comparável: indicadores padronizados entre projetos similares.

Perguntas frequentes

Como minha OSC pode se candidatar a grantmaking?

Identifique fundações alinhadas à sua missão (educação, saúde, etc.) e ao seu porte. Acompanhe editais via Mapa das OSCs do IPEA, Prosas, sites institucionais. Construa proposta com metodologia clara, indicadores mensuráveis e plano de execução realista. Mantenha relacionamento institucional contínuo, a captação não começa na hora do edital.

Qual a diferença entre grantmaking e fomento público?

Grantmaking refere-se a repasse de fundações e institutos privados; fomento público refere-se a transferências do Estado (MROSC). Os critérios e processos são diferentes. Para a OSC, a diversificação entre os dois é estratégica e reduz dependência de fonte única.

Apoio recorrente é melhor que apoio pontual?

Apoio recorrente oferece estabilidade institucional, mas pode gerar dependência. Apoio pontual mantém flexibilidade, mas exige captação contínua. O modelo ideal combina: parcerias de longo prazo com financiadores estratégicos, complementadas por captação pontual em editais e projetos específicos. Diversificação reduz risco institucional.

Fontes

  1. GIFECenso GIFE
  2. GIFEgife.org.br
  3. IDISPesquisa Doação Brasil e análises
  4. IPEA — Mapa das OSCsmapaosc.ipea.gov.br

Este conteúdo é informativo. Dados sobre grantmaking dependem de metodologia das pesquisas setoriais — para análises aplicadas, consulte publicações originais do GIFE e do IDIS.

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