
Uso estratégico de dados e avaliações de impacto, além dos relatórios anuais, foi tema central do Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais 2026. O Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS) participou do painel ao lado de representantes das fundações Bunge, Sicredi e ArcelorMittal.
Levantamento de dados só no fechamento é criticado
Profissionais reunidos no evento apontaram falha recorrente nas organizações: buscar indicadores apenas no encerramento do ciclo anual, quando os números servem sobretudo para comprovar metas já cumpridas. A mesa “Impacto que gera valor: quando dados fortalecem negócios e sociedade” teve mediação de Dihego Pansini, diretor executivo do Instituto Alcoa.
Segundo o painel, promovido pelo IDIS, a falta de indicadores ao longo da execução deixa o investimento social mais exposto a cortes em períodos de crise orçamentária. Quando o mapeamento do território precede o desenho da iniciativa, cruzando números com escuta das comunidades, os projetos deixam de seguir modelos genéricos e passam a responder a necessidades específicas do público atendido.
Bunge direciona recursos à agricultura familiar no Nordeste
Claudia Calais, diretora executiva da Fundação Bunge, contou que a instituição reorientou sua atuação para projetos de geração de renda e para iniciativas de baixo carbono. Havia uma meta ligada à origem do biocombustível produzido por pequenos agricultores; para atingi-la, a fundação optou por capacitar produtores rurais do semiárido nordestino e organizá-los em cooperativas, em vez de contratar fornecedores já consolidados no Sul do país.
A escolha atendeu a exigências do Selo Social do Biocombustível, política pública que permitiu à companhia disputar leilões do setor, e gerou efeitos econômicos na região escolhida. Passaram a existir indicadores de resultado que colocaram a fundação em posição equivalente à do investidor, apresentando o gasto social como retorno, não como despesa a ser eliminada em momentos de aperto.
Sicredi comprova impacto de programa educativo
A Fundação Sicredi responde a 10 milhões de cooperados, que decidem sobre a aplicação de R$ 400 milhões destinados anualmente a projetos sociais, segundo Andressa Vasconcelos, especialista em Monitoramento e Avaliação de Impacto da instituição. Em 2020, o IDIS avaliou o Programa A União Faz a Vida pela metodologia de Retorno Social do Investimento (SROI) e concluiu que, para cada real aplicado, o programa gerou quatro reais em benefício social. O estudo também apontou que efeitos indiretos da Teoria da Mudança superavam, em relevância, o próprio objetivo original da iniciativa.
Diante desse resultado, a fundação ajustou sua metodologia e passou a medir causalmente o efeito pedagógico do programa, confirmando ganhos entre os estudantes participantes em autonomia, pensamento crítico e capacidade de colaborar. Uma pesquisa nacional sobre o significado de prosperidade para a população brasileira também levou o Sicredi a criar soluções não financeiras voltadas aos territórios onde a cooperativa atua.
Monitoramento e avaliação se firmam como área de atuação
O debate evidenciou a expansão de funções técnicas dedicadas a acompanhar e mensurar resultados dentro do terceiro setor. Cargos como especialista em Monitoramento e Avaliação de Impacto e analista de projetos, presentes nas fundações citadas no painel, exigem formação em estatística, ciências sociais e gestão, capaz de converter dados de campo em decisões estratégicas para as organizações.
A Fundação ArcelorMittal também recorreu a levantamentos de dados e à escuta direta das comunidades para incluir a economia circular em seu planejamento, conforme relato da representante da instituição durante o mesmo painel.
Esta nota tem como base informação publicada pelo IDIS, fonte registrada no catálogo editorial do Vagas Terceiro Setor.
Perguntas frequentes
O que mede a metodologia SROI aplicada pelo IDIS?
O Retorno Social do Investimento (SROI) compara o valor social produzido por uma iniciativa com o capital nela aplicado. Na avaliação do Programa A União Faz a Vida, do Sicredi, o IDIS apurou que cada real investido gerou quatro reais em benefício social.
Quanto a Fundação Sicredi destina por ano a projetos sociais?
A Fundação Sicredi presta contas a 10 milhões de cooperados sobre R$ 400 milhões aplicados anualmente em iniciativas sociais, segundo a especialista Andressa Vasconcelos, no Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais 2026.
Como a Fundação Bunge define seus investimentos sociais?
A fundação cruza indicadores com diagnóstico do território antes de definir cada projeto, como na capacitação de agricultores do semiárido nordestino organizados em cooperativas de biocombustível, atendendo ao Selo Social do Biocombustível.
Fontes
- IDIS — Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social — Para além do relatório anual: O valor da evidência para fortalecer negócios e sociedade
Este conteúdo tem caráter informativo e jornalístico. Não substitui aconselhamento jurídico, contábil ou tributário profissional.

