
31,9% das OSCs (organizações da sociedade civil) brasileiras seguem com projetos em andamento sem ter obtido novos recursos, segundo a Pesquisa Desafios do Terceiro Setor no Brasil, divulgada pela ONG News. O Instituto Ekloos reuniu 721 respostas de entidades de todas as regiões brasileiras.
Captação lidera a lista de dificuldades
Para 74,1% dos gestores ouvidos, levantar dinheiro é o maior problema da rotina, segundo o levantamento. Entre as organizações, 59,3% não têm fluxo contínuo de captação e 46,1% não pagam remuneração a quem trabalha nelas.
O estudo foi conduzido pelo Instituto Ekloos em parceria com o Instituto de Pesquisa info4Good, da HSR – Holding Specialist Research. A amostra reúne entidades sem fins lucrativos distribuídas pelas cinco regiões brasileiras. O aperto financeiro aparece somado a entraves de administração, retenção de pessoal e construção institucional.
Equipes enxutas e poucos planos de carreira
Quase metade das entidades, 45,3%, opera com no máximo dez colaboradores. Apenas 10% mantêm plano de cargos e salários, documento que organiza funções, faixas de remuneração e critérios de promoção.
Para quem busca vaga no terceiro setor, o retrato é de times pequenos, em que o plano de carreira formal chega a uma de cada dez organizações.
Comunicação, site e avaliação de resultados
Na comunicação, 59,7% das organizações não contam com alguém dedicado só a essa tarefa, e 55,6% ou não têm site ou deixaram a página sem atualização. A lacuna prejudica a divulgação dos projetos, a exibição de resultados e a aproximação com possíveis apoiadores.
A avaliação de resultados concentra o maior percentual entre as lacunas citadas: 87,3% não analisam o impacto do que fazem. Sem acompanhamento sistemático, fica difícil medir o que foi alcançado e registrar as mudanças que cada projeto produziu.
Financiadores: acesso, conhecimento e prazo
Chegar a possíveis financiadores é difícil para 55,3% dos gestores. Outros 34,8% veem como barreira o desconhecimento do setor social por parte de quem financia. Quanto ao prazo, 76% consideram dois anos o mínimo ideal de apoio.
A pesquisa associa contratos mais longos a maior previsibilidade, o que permite às instituições programar atividades e traçar estratégias de médio prazo. A leitura que acompanha os números é que parcerias duradouras e verba de uso livre podem ampliar a autonomia das entidades para definir prioridades.
O resultado reacende a discussão sobre o repasse de verbas por fundações, institutos e empresas. Financiar um projeto específico cobre a atividade-fim, enquanto o apoio institucional paga também por contabilidade, divulgação, tecnologia, capacitação de pessoal e medição de resultados. Duas dessas frentes, comunicação e avaliação, estão entre as lacunas medidas. Poder aplicar verba na própria estrutura, afirma o estudo, ajuda os projetos a seguir adiante e as equipes a se programar.
Limites do levantamento
A ONG News não detalha o período de coleta nem o critério de escolha das 721 organizações. Também não apresenta recortes por porte ou área de atuação. Os percentuais descrevem, portanto, o grupo que respondeu, e não todas as OSCs do país.
Esta nota tem como base informação publicada pelo ONG News, fonte registrada no catálogo editorial do Vagas Terceiro Setor.
Perguntas frequentes
Quantas ONGs mantêm projetos sem captar novos recursos?
Segundo a Pesquisa Desafios do Terceiro Setor no Brasil, 31,9% das OSCs continuam tocando projetos sem obter novos recursos. O levantamento do Instituto Ekloos reuniu 721 respostas de entidades de todas as regiões brasileiras.
Qual é o prazo mínimo de financiamento ideal para as ONGs?
Para 76% dos gestores ouvidos, o mínimo desejável é de dois anos de financiamento. A pesquisa relaciona esse período a parcerias previsíveis, que deixam as instituições organizar atividades e pensar estratégias de médio prazo.
Quantas organizações do terceiro setor têm plano de cargos e salários?
Somente 10% das organizações pesquisadas adotam plano de cargos e salários. O estudo registra ainda que 45,3% operam com até dez colaboradores e que 46,1% não pagam remuneração à equipe.
Fontes
Este conteúdo tem caráter informativo e jornalístico. Não substitui aconselhamento jurídico, contábil ou tributário profissional.

