Participe do nosso grupo no Telegram!

HIV: Brasil reduz transmissão vertical mas casos novos sobem 20%

Nuvem de palavras com os termos centrais da notícia 'HIV: Brasil reduz transmissão vertical mas casos novos sobem 20%' no Terceiro Setor
A REDAÇÃO APUROU

Relatório do Unaids, divulgado pelo GIFE, aponta crescimento superior a 20% nas novas infecções por HIV no Brasil entre 2010 e 2025 — período em que o país virou o primeiro com população acima de 100 milhões a interromper a passagem do vírus de mãe para filho.

Números que expõem um paradoxo

Harley Henriques, coordenador do Fundo Positivo, atribui parte do aumento nas notificações à ampliação da testagem no período avaliado, e não apenas a um agravamento da epidemia. “Parte dele pode se explicar pela maior disponibilidade de testagens”, afirma.

A eliminação da passagem do vírus de mãe para filho é um indicador à parte: depende do acompanhamento pré-natal e da oferta de antirretrovirais durante a gravidez, não do volume de diagnósticos entre adultos. O mesmo levantamento da Unaids também registra avanços na supressão viral entre quem já trata a infecção e na ampliação do acesso à profilaxia pré-exposição (PrEP) no período analisado.

Da rede pública ao coquetel antiaids

O fornecimento gratuito de retrovirais pelo sistema público brasileiro começou em 1991, por decisão do Ministério da Saúde. No ano seguinte, a combinação dos remédios AZT e Videx ganhou o apelido de coquetel antiaids. Em 1995, surgiu o Simpósio Brasileiro de Pesquisa em HIV/Aids (Simpaids), mesmo período em que o esquema triplo de antirretrovirais foi regulamentado e a Lei 9.313 passou a obrigar a entrega sem custo dos remédios a quem vive com o vírus.

Segundo dado repassado por Henriques, o efeito somado dessas medidas apareceu em 1999: o uso do coquetel antiaids coincidiu com queda de 50% nas mortes e de 80% nas infecções oportunistas no país.

Desigualdades atrasam o diagnóstico

O mesmo relatório aponta que 30% dos diagnósticos de HIV no Brasil ainda ocorrem tardiamente. Fatores como preconceito racial, homofobia e transfobia, somados à pobreza e à insegurança alimentar, seguem dificultando o acesso à prevenção, ao exame e à continuidade do tratamento.

“Os marcadores sociais devem ser considerados numa política de saúde pública”, diz Henriques, para quem ignorar esses fatores estruturais reduz a eficácia de qualquer política voltada à epidemia entre os grupos mais vulneráveis.

Papel das organizações comunitárias

Sem campanha oficial de comunicação em massa sobre HIV/Aids, boa parte do trabalho de manter a informação circulando entre as populações mais expostas recai sobre entidades da sociedade civil e sobre veículos comunitários.

Henriques defende que o investimento social privado financie e atue ao lado dessas organizações, que classifica como determinantes para o resultado alcançado pelo país no cenário internacional, ainda que desigualdades internas sigam sem solução.

Frente de atuação para o terceiro setor

Para profissionais e organizações do setor, o retrato traçado pela Unaids aponta uma demanda concreta: prevenção, testagem em bases comunitárias e comunicação em saúde dependem, na prática, de equipes fora da estrutura estatal. A ausência de estratégias oficiais de comunicação amplia a relevância desse tipo de atuação para quem já trabalha diretamente com as populações mais expostas.

Esta nota tem como base informação publicada pelo GIFE, fonte registrada no catálogo editorial do Vagas Terceiro Setor.

Perguntas frequentes

Quantos diagnósticos de HIV no Brasil ainda são tardios?

O levantamento da Unaids citado por Harley Henriques indica que 30% dos diagnósticos de HIV no Brasil ainda ocorrem tardiamente.

Quando o Brasil eliminou a transmissão do HIV de mãe para filho?

Segundo a Unaids, entre 2010 e 2025 o Brasil se tornou o primeiro país com população superior a 100 milhões a eliminar a passagem do vírus de mãe para filho.

Como o investimento social privado pode apoiar a resposta ao HIV?

Segundo Henriques, o investimento social privado deveria financiar e atuar ao lado de organizações comunitárias, que ele aponta como decisivas no trabalho de prevenção e comunicação em saúde feito diretamente às populações mais expostas.

Fontes

  1. GIFE — Grupo de Institutos, Fundacoes e Empresas — Avanços na resposta ao HIV convivem com aumento de novas infecções no Brasil

Este conteúdo tem caráter informativo e jornalístico. Não substitui aconselhamento jurídico, contábil ou tributário profissional.

Vamos conversar?