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Filantropia familiar soma R$ 395 milhões, 7% do total do Censo GIFE

Nuvem de palavras com os termos centrais da notícia 'Filantropia familiar soma R$ 395 milhões, 7% do total do Censo GIFE' no Terceiro Setor
A REDAÇÃO APUROU

O Censo GIFE de 2024 mediu R$ 395 milhões aplicados por fundações e institutos familiares brasileiros em causas sociais, fatia de 7% do total levantado pela pesquisa, dado citado pelo Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS) na mesa de encerramento do Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais 2026.

Legado familiar pede perguntas antes da doação

Nicholas Tedesco, que preside o National Center for Family Philanthropy, abriu a mesa questionando a motivação por trás do legado filantrópico das famílias. Para ele, doar não basta: é preciso nomear o propósito e decidir o que deve permanecer entre gerações.

Essa governança, segundo Tedesco, precisa aproximar gerações diferentes ao redor de uma pauta comum. Nos Estados Unidos, famílias têm direcionado recursos à defesa da democracia e ao enfrentamento das mudanças climáticas, mas o executivo reconhece que o campo ainda evita debater questões de poder e privilégio de forma aberta.

No Brasil, esse debate ainda engatinha. O relatório “Caminhos para uma atuação mais ampla e estratégica da filantropia familiar no Brasil”, elaborado pelo IDIS, descreve o envolvimento de famílias de alta renda com a filantropia como incipiente e pouco documentado. O Censo GIFE de 2024, publicado pelo Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (GIFE), identificou R$ 395 milhões aplicados por fundações e institutos familiares, fatia próxima a 7% de todo o valor mapeado pelo levantamento.

Compromisso público abre espaço para carreiras de impacto

Rodrigo Pipponzi participa do comitê de impacto social mantido pela RD Saúde e é um dos fundadores do Compromisso 1%. Para ele, a coragem está em sustentar compromissos públicos ao longo do tempo, não apenas assumi-los.

A empresa decidiu não manter um instituto à parte: unificou missão de negócio e atuação social em uma só frente. O programa reúne o IDIS e o Instituto MOL numa proposta que estimula empresas a destinar parte do lucro líquido a organizações da sociedade civil, e a RD Saúde integra a lista de signatárias. Internamente, o bônus de executivos está atrelado a metas ambientais, sociais e de governança (ESG), e a alta liderança participa diretamente do comitê de impacto social, uma porta de entrada para profissionais especializados em investimento social corporativo.

Pipponzi também citou o Troco Solidário, programa que arrecada entre R$ 4 milhões e R$ 5 milhões por ano, revertidos a organizações da sociedade civil. Para ele, a filantropia corporativa funciona como catalisadora de mobilização dentro da própria empresa.

Custo da desigualdade fora da pauta filantrópica

Michael França coordena o Núcleo de Estudos Raciais, sediado no Insper, e levou à mesa um recorte acadêmico sobre desigualdade. Ele citou o livro “Os Custos das Desigualdades: uma carta às elites econômicas”, escrito com Daniel Duque e publicado pela Editora Jandaíra, para sustentar que o Brasil figura entre as nações mais desiguais do planeta.

Segundo França, as externalidades geradas pela desigualdade raramente entram na pauta do setor, o que trava a ruptura de ciclos de exclusão e reduz o horizonte de futuro para novas gerações. Para o pesquisador, a educação isolada não resolve o problema, e a reforma da sociedade brasileira precisa avançar além das paredes da escola.

Para Michael França, esse conhecimento não deve ficar restrito aos círculos acadêmicos: precisa alimentar o debate público e o diálogo com governos.

Financiamento desigual trava colaboração no setor

Perguntas da plateia ampliaram o debate para o financiamento da pesquisa e o enfrentamento do negacionismo. Michael França identificou uma assimetria estrutural: o financiamento internacional deposita mais confiança no pesquisador e garante apoio institucional para o longo prazo, enquanto o financiamento brasileiro tende a ficar mais restrito e voltado a confirmar hipóteses previamente definidas.

Nicholas Tedesco somou a experiência americana: lá, as universidades funcionam como polos de referência para disseminar boas práticas filantrópicas e formar lideranças do setor, papel que o Brasil ainda constrói.

Sobre colaboração entre fundações e negócios de diferentes portes, Tedesco afirmou não existir fórmula pronta. Segundo ele, cresce nos Estados Unidos a disposição para colaborar, ainda que o receio persista. Pipponzi completou sob a ótica empresarial: para ele, empresas precisam abrir mão de parcelas de poder e de convicções fixas para atuar ao lado de comunidades e de outros atores do setor.

Esta nota tem como base informação publicada pelo IDIS, fonte registrada no catálogo editorial do Vagas Terceiro Setor.

Perguntas frequentes

O que é o Compromisso 1%?

É uma iniciativa colaborativa entre o Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS) e o Instituto MOL que estimula empresas a destinar parte do lucro líquido a organizações da sociedade civil. A RD Saúde é uma das signatárias, com o tema vinculado às metas de bônus da liderança.

Quanto as famílias brasileiras investem em filantropia?

Segundo o Censo GIFE de 2024, fundações e institutos familiares aplicaram R$ 395 milhões em causas sociais, uma fatia próxima a 7% do total mapeado pelo levantamento do Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (GIFE).

Como funciona a carreira em comitês de impacto social nas empresas?

Empresas como a RD Saúde mantêm comitês de impacto social com participação direta da alta liderança e bônus de executivos atrelado a metas ambientais, sociais e de governança (ESG), abrindo espaço para profissionais especializados em investimento social corporativo.

Fontes

  1. IDIS — Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social — O futuro é uma escolha, não um destino

Este conteúdo tem caráter informativo e jornalístico. Não substitui aconselhamento jurídico, contábil ou tributário profissional.

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